[2017 foi um ano mais ou menos sem condições]

ahahahaahaha

Ô GENTE!

falei que ia voltar quando mesmo? final de 2016? rapaz, que ano foi aquele? por Deus. eu tava doida pra voltar, compartilhar os meus casos aqui na Obamaland e o que aconteceu? o que aconteceu foi um Neymar rolando atrás do outro em 2017. vem que a tia conta:

no final de 2016, eu voltei a trabalhar com a maravilhosa freguesia. mas diferente dos fregueses livrescos e da própria livraria, o trampo é mais mecânico, sem aquela coisa TODA de gente bonita, clima de paquera (aka bom papo/conversas construtivas/trocas de experiências bacanas).

fazia anos que eu não tinha a rotina massacrante de escritório, então o trabalho consumia aproxidamente 150% da minha energia. quando eu chegava em casa, tudo o que queria era me jogar no sofá até o dia seguinte (só fui descobrir a Márcia Fernandes e o banho azul esse ano. xô, encosto!).



então lá estávamos em meados de Abril, um dia antes do meu aniversário, quando eu já estava parcialmente acostumada com toda aquela vibe de firma, que a minha sogra apareceu DESESPERADA na recepção do prédio onde trabalho. chorando, ela tentava me explicar que o Andy havia sofrido um acidente. eu não conseguia entender exatamente o que ela estava dizendo e só registrei as seguintes palavras: accident + car + almost died + hospital. PRONTO. pulei no carro dela e fui chorando do escritório até o hospital. e não era choro contido, não. eu chorava TEARS IN SPANISH. o maior escândalo do mundo - a minha sogra, por um instante, esqueceu do filho e ficou preocupada COMIGO. ahahahah.  minha gente, eu esperava pelo pior, mas quando eu cheguei no hospital, e encontrei o Andy deitado em uma das enfermarias, a minha reação foi basicamente essa:


wait, WHAT?

gente.

o Andy tava lá na enfermaria e  realmente parecia não estar bem - ele tava meio/muito dopado. ENTRETANTO, PORÉM, TODA VIA, eu não vi: sangue, arranhão, aparelhos ligados, nada. GRAÇAS A DEUS?, mas cadê acidente? 

- Andy??????????? o que tá acontecendo????????????
- meu dedão.

(o dedão dele tava todo coberto)

- eu não estou entendendo?????????????????
- eu perdi o meu dedão com o cortador de grama.

MAS SERÁ O BENEDITO? isso mesmo. Andy arrancou METADE do dedão do pé direito, enquanto cortava grama. como? o cortador ficou emperrado em algum lugar e ele tentou parar a parafernalha com o tênis. (...) daí, claro, o cordão enroscou no motor, ele caiu, cortador passou por cima do dedo e foi aquele AUÊ na vizinhança de bombeiro, polícia, gritaria, tiro, porrada e bomba. sim, por pouco, ele não perde o dedo inteiro, o pé, a perna, a vida sabe? terrível.

terrível e já tava bom de tragédia, mas Deus é um cara gozador e 2017 ainda tinha um tanto de Neymar pra rolar. pouco mais de um mês depois do acidente, Sebastião, aquele gato maravilhoso, caiu de cama também. Sebas chegou a ficar noites e noites em diferentes hospitais, sem conseguir fazer xixi ou fazendo xixi com sangue. VEM METEORO, ETC. foram mais de dois mil FUCKING dólares com veterinário, corridas de Uber, remédios e o diabo. eu chegava no trampo exausta, de péssimo humor, porque não dormia (ou dormia debaixo da minha mesa durante o almoço) e só era capaz de funcionar com, pelo menos, um litro de café - até hoje, a minha fama na firma é de ser grossa. até parece. eu sou é maravilhosa.



passou Abril, passou Maio, Junho e Julho. dizer pra vocês que até hoje faço zero ideia de qual foi a corda que usei para dar conta do recado - eu tive que segurar muito firme. chegou Agosto e o Sebas, depois de um excelente tratamento urinário e dieta controlada, ficou melhor. também em Agosto, Andy já conseguia dirigir sem sentir tanta dor e podia me levar para o trabalho (quem estava fazendo o serviço sujo até então era a minha sogra). mesmo assim, achei que seria melhor perder o medo do volante e tirar logo a minha carteira de motorista. e foi o que eu fiz.

foi em Setembro, quando eu já estava dirigindo e TODA empolgada para comprar meu primeiro carro, que aconteceu: a caminho do trabalho (era a primeira vez que eu dirigia uma distância tão longa), sofremos um acidente com perda total do veículo. de alguma forma, eu consegui subir na guia e acertar um poste. galera, só deu tempo de sair do carro para ele começar a pegar fogo até explodir.

como é que alguém explode um carro? pelo visto, tudo o que você precisa fazer é acelerar, quando quem está no banco do passageiro está berrando: STOP! STOP! STOP!. aparentemente, o meu cérebro entendeu: RÁPIDO! RÁPIDO! RÁPIDO!. péssimas traduções do Google Tradutor. quem nunca?

Ô BERENICE.
o carro virou um monte de ferro retorcido
conosco, graças a Deus, o gozador que adora brincadeira, nada aconteceu.
valeu, Mestre.

sinceramente:
tinha condições de fazer qualquer coisa durante a trilogia 2016-2017-2018?
não tinha condições.



mas deu, né?

já estou 100% adaptada a todos os dramas de escritório, Sebastião está excelente e o último acidente que o Andy sofreu foi ontem, quando bateu o mindinho na mesa de centro da sala. meu inglês está melhor, mas ainda cometo umas gafes chocríveis. ou seja.

e digo mais: acabei de receber autorização (green card) para ficar mais 10 anos por essas bandas, então pode marcar esse SITE como favorito porque a vida aqui segue no ritmo 'todo dia um sete a um'. e pode MANDAR a galera a voltar a ler blog, sim. o BR só tá do jeito que tá porque todo mundo trocou BLOG por VLOG. ou vocês acham que eu não estou vendo GERAL seguindo o Felipe Netto? traíras da pátria (eu, inclusive. sigo a simpatia no Twitter).

é isso.
até Sábado que vem, combinado?
combinado.

(post dedicado a Tati Leite e a todos os meus amigos que estão sempre pedindo pela volta do blog. amo vocês).

[Glória]

ô, vem cá.

essa minha cara marrom causa muita estranheza e confusão por essas bandas. are u Mexican? Puerto Rican? Shakira Shakira?

quase todo mundo acha que a América Latina é só o México/Porto Rico e vice-versa. então, se você entra num mercado Mexicano ou em qualquer outro estabelecimento Latino/Hispano e não fala Espanhol, as pessoas podem achar que você é metida a besta por se comunicar em Inglês. não passa pela cabeça da galera que você pode ser Latina e falar Português. na verdade, a maioria das pessoas nem sabe que o Português existe.

pois bem.
dito isso, deixa eu contar pra vocês uma coisa que aconteceu:

a Eliana é uma moça que começou a trabalhar com a gente lá no escritório não tem nem um mês. dia desses, ela levou pro pessoal um doce (MADE IN MEXICO) chamado GLÓRIA (esse nome, eu sei). GLÓRIA é basicamente doce de leite de cabra com nozes e talvez seja a coisa mais próxima do Paraíso que existe na face da Terra. sem brincadeira, rolei na areia e fiquei louca, muito louca com o tal do doce.

daí, lógico, achei que seria SENSATO criar o meu próprio estoque de GLORIAS. lembrei, então, de um mercadinho Mexicano que eu sempre vou quando quero comprar produtos parecidos com os do Brasil e tenho dificuldade para encontrar, tipo suco de maracujá, massa de pastel, mandioca, etc. só que nesse mercadinho sempre rola climão quando eu peço alguma ajuda, afinal, não falo Espanhol e eles juram que o idioma do Almodóvar seja a minha língua materna e INSISTEM. como eu não estava num dos meus melhores dias, decidi evitar o conflito pessoalmente e liguei para o lugar.



mercadinho: HOLA
eu: hello, I'm looking for...

(a atendente do mercado desliga o telefone)

pensei: tá certo, a garota não deve falar Inglês e talvez esse seja um ótimo momento para eu tentar começar a falar em Espanhol? tirei o celular da bolsa e joguei lá no Google Tradutor "DESCULPA O MEU ESPANHOL, MAS VOCÊ TEM UM DOCE CHAMADO GLÓRIA?".

pedi pro Andy parar o carro para eu TREINAR a frase antes de ligar:

Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?
Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?
Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?

o Andy não sabia onde enfiar a cara, tamanho o ridículo da cena. mas, enfim, eu precisava do doce. quando achei que já estava a Anitta do rolê, liguei novamente: 

mercadinho: hola!
eu: hola, desculpe mi español. usted tiene un dulce llamado GLORIA?
mercadinho: QUE?
eu: sorry, can I just speak in english?
mercadinho: si, si, un poquito.
eu: ok. i'm looking for this candly called GLORIA.
mercadinho: COMO?
eu:  a candy... gloria...
mercadinho: A CANDY? ES UN BOMBÓN?
eu: KIND OF. GOAT MILK AND NUTS.
mercadinho: UN MOMENTO.
eu: OBRIGADA!
mercadinho: OBRIGADA!

7x1: você voltou pra dizer se tinha o doce? a moça do mercadinho também não. nunca mais.

[Craigslist]

se tem coisa melhor do que Deep Dish Pizza no país Estados Unidos da América, essa coisa se chama Craigslist. e eu não estou sendo irônica. eu sei que quem já conhece o site, deve estar revirando os olhos e lembrando dos causos assustadores que já rolaram por lá. porém, desde que eu me mudei para cá, praticamente virei a rainha dos "deals". um exemplo foi quando a gente estava fazendo orçamento para comprar um fogão novo (o nosso tinha mais de 15 anos). enquanto nas lojas a gente não encontrava por menos de $400, acabamos encontrando um 0km por $180 lá mesmo, no site do Craig.




a Craigslist funciona mais ou menos como a OXL no Brasil, só que com pessoas mais bizarras. quer dizer. a maioria das nossas negociações aqui foram tranquilas, com pessoas aparentemente normais. tudo bem que sempre rola aquela sensação de que vamos ser sequestrados durante o pagamento, mas tentamos ser cuidadosos ao extremo: marcamos com anunciantes/compradores em locais movimentados e a luz do dia. e só vamos até a casa da pessoa em último caso, como da vez q tivemos a excelente ideia de aceitar o piano de alguém que estava doando. visualizem a cena: tivemos que enfiar um piano no bagageiro do carro. vocês já pegaram um piano? aquilo não é gaita.

então. tudo tranquilo e favorável até o dia que encontramos um sujeito vendendo 50 cases de CD por $10 - a gente tava numa vibe de organizar a nossa coleção de CDs, etc. achei o preço mais do que justo e escrevi pro cara, que respondeu no mesmo minuto. era domingo, estávamos sem nada pra fazer, então ficamos de encontrar o vendedor mais tarde.

era o meu primeiro ano aqui e eu estava pedalando com o inglês. daí para fazer as negociações, eu entrava em contato com a pessoa por e-mail e o Andy ligava para fechar o negócio. foi aí que a coisa começou a ficar estranha. pra começar, o sujeito queria nos encontrar em um estacionamento por volta das oito horas da noite. estacionamento? sei lá, a gente esperava um lugar com luzes, gente bonita e clima de paquera, mas:



topamos, afinal, CASES DE CD É QUESTÃO DE VIDA OU MORTE. quando chegamos no local combinado, o estacionamento estava praticamente vazio. só havia um carro estacionado que, LÓGICO, concluímos ser o do vendedor. ligamos para confirmar e, para a nossa surpresa (ou alegria), o cara disse ainda estar a caminho.

não demorou nem dois minutos para um SEGUNDO carro se aproximar. AGORA VAI? claro que não, e o cenário agora era o seguinte: dois carros, todas as luzes apagadas, ninguém entra, ninguém sai e eu já pensando na minha mãe recebendo a notícia do meu sequestro. antes que eu entrasse completamente em PÂNICO, finalmente o tal sujeito me aparece em uma van.

PRONTO.

a única coisa que eu consigo pensar quando vejo uma van nesse país é: sequestro e 85 anos de cativeiro em um basement sujo. pedi pro Andy desencanar daquilo e, evidente, ele não desencanou. fiquei no carro acompanhando toda a cena: o vendedor abriu a porta da van, tirou a caixa, entregou para o Andy, recebeu os dez dólares e se despediu. foi o Andy virar as costas para os dois homens, QUE JÁ ESTAVAM LÁ, SAIREM DOS SEUS RESPECTIVOS CARROS E ENTRAREM NA VAN. ou seja? ELES SE CONHECIAM. sim, eles largaram os carros lá, entraram na van e foram para SÓ DEUS SABE.


não teve sequestro, mas eu SURTEI. jurei que estávamos sendo alvo de um ataque terrorista. comecei a IMPLORAR para o Andy enconstar o carro e verificar o pacote. perdi as estribeira completamente. ANDY, PELO AMOR DE DEUS PARA ESSE CARRO ISSO É BOMBA. A GENTE ESTÁ CARREGANDO UMA BOMBA. PARA ESSE CARRO. NÃO FAZ SENTIDO TRÊS CARROS COM AQUELE TANTO DE HOMEM SÓ PARA ENTREGAR UMA CAIXINHA COM CASES DE CD. EM QUE PLANETA VOCÊ VIVE? NÓS VAMOS MORRER. PARA ESSE CARRO AGORA. ISSO É UM ATAQUE TERRORISTA. PELO AMOR DE DEUS.

cara.
a minha cabeça.

7x1: Andy parou, sim, o carro para examinar caixa e encontrou, isso mesmo, 50 cases de CDs. 

[Caturday]



e o Obama esteve em Columbus uma semana antes das eleições presidenciais. "e eu com isso?" você deve estar se perguntando. você com isso nada, mas eu curto o cara e, só para vê-lo, acabei parando em uma vizinhança onde o único lugar para comer era um Starbucks (eu não sou lá fã de Starbucks. meu negócio mesmo é o Tim Hortons). 

chegamos na região da Universidade bem cedo, pois nossa experiência no rally com o Bernie Sanders não foi muito bacana - ficamos quatro horas na fila e vimos o Bernie por 10 minutos. então, aproveitamos o tempo extra que tínhamos e demos um pulo na tal cafeteria. eu precisava de um expresso e de um copão de água. o Andy precisava comer alguma coisa e pediu um trem com bacon que o fez ir ao banheiro pelo menos uma cinco vezes naquele dia. cara, eu nunca vou entender o hype do Starbucks. quem explica?

pois bem, tomei o meu café, Andy comeu o lanche dele e saímos em direção ao lugar onde seria o rally. havia alguns manifestantes na área, por conta da construção de um oleoduto em uma região índigena em North Dakota (a construção foi cancelada na semana passada), mas mesmo assim, o clima era total de "Yes, We Can". a gente estava quase chegando, quando um vendedor ambulante pulou (literalmente) na minha frente. 

vendedor: I'LL GIVE TWO BUTTONS FOR FREE IF YOU GIVE ME THIS GLASS OF WATER.

(eu ainda tinha meu copão de água comigo)

eu: não, tudo bem. você pode ficar com água, não precisa me dar nada.

vendedor: não, eu faço questão. pode escolher dois buttons.

(acabei escolhendo o do Black Lives Matter e o Andy pegou um da campanha da Hillary)

vendedor: DO YOU HAVE KIDS?

(imaginei que, pelo fato de sermos casados, ele quisesse dar alguns buttons para os nossos filhos. eu sou mesmo muito tonta.)


vendedor: pardon me? 


Andy: no, we don't have tickets. 

7x1: "Do you have tickets?" foi a pergunta. Ele queria saber se tínhamos ingressos para o rally, sendo que para ver o Robama sequer era necessário ingressos. de qualquer forma, o Andy comprou dois, só para garantir. somos mesmo muito tontos.

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