[então você é vegetariana?]

estava revirando umas fotos antigas e encontei esse registro de quando a minha sogra, em 2015, deixou 12 pés de alface na porta de casa, logo após saber que eu era vegetariana. 


que :) carinho :), não :) é :) mesmo :)?



[por aqui]

oim

estou respirando, então não posso reclamar (principalmente nesse país, se é que vocês me entendem).
os gatos estão bem.
o Andy está bem.
então tá tudo bem.

não saimos de casa desde Março. quer dizer, vamos ao supermercado e ao brechó, a cada duas semanas. sempre de máscara, sempre querendo esmurrar quem chega muito perto, sempre voltando pra casa com a sensação de estar com o VÍRUS no corpo. tudo muito horrível. 

o passeio, desde Março, é quase sempre o mesmo: passamos no mercado, pegamos nossa comida (encomendamos online), paramos no brechó e eu compro uns livros pra vender no meu sebinho. depois do trabalho, todo dia, tem encomenda pra empacotar. lojinha no Etsy e no Ebay. cada um tem o passatempo que merece/quer ter. cês tem passatempo? me conta qual?

aliás, cês acreditam que esses dias tava lá  um povo no Twitter brigando porque tem loja que manda pacotinho amor para as pessoas? 
ô gente, mas é muita falta de ter o que coçar, sinceramente.
cada um tem o passatempo que merece/quer ter.

desde Março.
cês acreditam?
2020 seria o ano de nossas vidas.
a gente ia fazer um super rolê. 
vários planos. um monte de coisa. 
ainda bem que esse ano temos um micróbio pra botar a culpa.
alô alô, graças a Deus.

larguei a terapia. eu sei da importância, mas ainda não era o que eu estava procurando.
continuo tomando meus remédios.
cuidem da saúde mental de vocês, por favor, e da de quem vocês amam.
até o Sebastião, meu gato, está cuidando da saúde mental.
ele está tomando XANAX. o tanto que isso é maravilhoso.

desde Março.
e meus vizinhos que estavam dando festa quase todo final de semana?
compraram uma piscina de plástico e todo final de semana era festa. piscina de plástico, música alta, churrasco, um monte de jovem. eu tava pra ter um AVC. 
virei a veia que toma a bola das crianças e chama a polícia. 
um baita gosto ruim pra música. eu não aceitava, de jeito nenhum. festa enquanto todo mundo está preso em casa e música ruim? inaceitável.
mais daí acho que o Andy (meu marido) contou para a minha sogra (meu marido é um fifi), que é dona da casa do lado (minha vida, eu sei), e ela acabou com a farra. hoje em dia não se sente nem o cheiro dos vizinhos. melhor assim. 

não se acostumem comigo aqui.
a culpa é do micróbio.
que venha a vacina, pelo amor.

[2020]

tô aqui me perguntando se ainda é possível criar conteúdo para a internet sem causar qualquer tipo de conflito nuclear.

vocês estão bem?

[menos a Luíza, que está no Canadá]

carnaval, né?






único carnaval possível é na horizontal, debaixo das cobertas, fazendo maratona de série que todo mundo já viu. quem é que assiste "Desperate Housewives" em 2019? eu tenho gostos peculiares, vocês não entenderiam.

vamos lá.

quem me acompanha/acompanhava nas redes, sabe que eu só sei falar sobre duas coisas: gatos e Cat Power (quem?). nada mudou, ao contrário: o número de gatos aumentou (hoje em dia tenho quatro felinos) e a loucurinha por Cat Power (who?) também. o Andy, inclusive, eu conheci por causa do amor incondicional que temos pela gata do poder (te contei que ela nos deu parabéns pelo casório, durante um show?).

então, depois de seis anos de espera, a bonita deixou todo mundo DAQUELE JEITO com a notícia de um novo álbum (escutem aqui a versão dela para 'Stay', da Rihanna). com o lançamento de 'Wanderer' veio também a agenda de shows e o Andy se programou para ir em alguns na região de Ohio. o primeiro seria em Detroit, que eu não quis ir por uma questão de fórum íntimo.



- tá tudo certo. só me manda uns 'text' de vez em quando, para eu saber que tá tudo bem e não ficar preocupada.
- combinando.

fiquei cuidando das varizes e lá pelas nove da noite peguei no sono. quando foi umas onze, acordei e vi que não tinha nenhuma ligação perdida ou mensagem de texto. bom, o show deveria ter terminado e o Andy já deveria estar dirigindo de volta pra casa. mas o combinado era escrever e avisar que estava tudo bem, não era? então. pra piorar, eu ainda estava traumatizada demais por causa do ano anterior. comecei a surtar.

- Li, tá tudo bem. o show acabou de terminar e eu estou no estacionamento. eu já ia te escrever. devo estar de volta lá pelas três, quatro da manhã... vou te avisando.

beleza. voltei a pegar no sono e quando despertei, três da manhã, chequei o celular e: ZERO NOTÍCIAS. ô saco. mas, ok, fiz a equilibrada e mandei uma mensagem pedindo sinal de vida. NADA. ô cacete. tentei ligar uma, duas, três, seis vezes. NADA DE ATENDER. mas que caralho? o equílibrio emocional deve ter durado uns dois minutos (recorde na história desse país), porque quando eu me dei conta já tava mandando foto ameaçando TACÁ FOGO na coleção de discos de vinil (ahahaha) se ele não me respondesse. NADA DE RESPOSTA. era isso: eu estava oficialmente viúva e só precisava começar a aceitar a realidade.



resumo da ópera: na ocasião, Andy usava um aparelho GPS do final dos anos 2000, doado pela mãe dele, depois do nosso ter queimado no acidente (conto sobre no post anterior). então lá em Detroit, quando ele selecionou a opção "home" pra voltar pra casa, de alguma maneira, o aparelho o levou até a ponte que faz fronteira com o Canadá. e, amigos, uma vez que você está nessa ponte THERE'S NO WAY de simplesmente desistir e voltar atrás: você tem que passar pela imigração canadense.

e é claro que a imigração achou que o Andy, com aquela cara e aquela barba, era traficante. além do mais, quem é que usa aparelho GPS dos anos 2000? ou melhor, quem é que usa aparelho GPS quando se existe WAZE? baita desculpa esfarrapada, eles devem ter pensado. 

só que enquanto os caras faziam mil perguntas e revistavam o carro do avesso, Andy tava era querendo perguntar para os policiais sobre a Joni Mitchel, que é canadense. "depois achei melhor não perguntar nada. vai que eles pensam que eu tô tentando desviar a atenção". sim, essa era a maior preocupação dele diante toda aquela situação. e eu em casa, pensando na vida de viúva.



sabe?

até sábado que vem, meus consagrados.

obs.: nenhum disco foi prejudicado durante a passagem do Andy pela imigração canadense.

[2017 foi um ano mais ou menos sem condições]

ahahahaahaha

Ô GENTE!

falei que ia voltar quando mesmo? final de 2016? rapaz, que ano foi aquele? por Deus. eu tava doida pra voltar, compartilhar os meus casos aqui na Obamaland e o que aconteceu? o que aconteceu foi um Neymar rolando atrás do outro em 2017. vem que a tia conta:

no final de 2016, eu voltei a trabalhar com a maravilhosa freguesia. mas diferente dos fregueses livrescos e da própria livraria, o trampo é mais mecânico, sem aquela coisa TODA de gente bonita, clima de paquera (aka bom papo/conversas construtivas/trocas de experiências bacanas).

fazia anos que eu não tinha a rotina massacrante de escritório, então o trabalho consumia aproxidamente 150% da minha energia. quando eu chegava em casa, tudo o que queria era me jogar no sofá até o dia seguinte (só fui descobrir a Márcia Fernandes e o banho azul esse ano. xô, encosto!).



então lá estávamos em meados de Abril, um dia antes do meu aniversário, quando eu já estava parcialmente acostumada com toda aquela vibe de firma, que a minha sogra apareceu DESESPERADA na recepção do prédio onde trabalho. chorando, ela tentava me explicar que o Andy havia sofrido um acidente. eu não conseguia entender exatamente o que ela estava dizendo e só registrei as seguintes palavras: accident + car + almost died + hospital. PRONTO. pulei no carro dela e fui chorando do escritório até o hospital. e não era choro contido, não. eu chorava TEARS IN SPANISH. o maior escândalo do mundo - a minha sogra, por um instante, esqueceu do filho e ficou preocupada COMIGO. ahahahah.  minha gente, eu esperava pelo pior, mas quando eu cheguei no hospital, e encontrei o Andy deitado em uma das enfermarias, a minha reação foi basicamente essa:


wait, WHAT?

gente.

o Andy tava lá na enfermaria e  realmente parecia não estar bem - ele tava meio/muito dopado. ENTRETANTO, PORÉM, TODA VIA, eu não vi: sangue, arranhão, aparelhos ligados, nada. GRAÇAS A DEUS?, mas cadê acidente? 

- Andy??????????? o que tá acontecendo????????????
- meu dedão.

(o dedão dele tava todo coberto)

- eu não estou entendendo?????????????????
- eu perdi o meu dedão com o cortador de grama.

MAS SERÁ O BENEDITO? isso mesmo. Andy arrancou METADE do dedão do pé direito, enquanto cortava grama. como? o cortador ficou emperrado em algum lugar e ele tentou parar a parafernalha com o tênis. (...) daí, claro, o cordão enroscou no motor, ele caiu, cortador passou por cima do dedo e foi aquele AUÊ na vizinhança de bombeiro, polícia, gritaria, tiro, porrada e bomba. sim, por pouco, ele não perde o dedo inteiro, o pé, a perna, a vida sabe? terrível.

terrível e já tava bom de tragédia, mas Deus é um cara gozador e 2017 ainda tinha um tanto de Neymar pra rolar. pouco mais de um mês depois do acidente, Sebastião, aquele gato maravilhoso, caiu de cama também. Sebas chegou a ficar noites e noites em diferentes hospitais, sem conseguir fazer xixi ou fazendo xixi com sangue. VEM METEORO, ETC. foram mais de dois mil FUCKING dólares com veterinário, corridas de Uber, remédios e o diabo. eu chegava no trampo exausta, de péssimo humor, porque não dormia (ou dormia debaixo da minha mesa durante o almoço) e só era capaz de funcionar com, pelo menos, um litro de café - até hoje, a minha fama na firma é de ser grossa. até parece. eu sou é maravilhosa.



passou Abril, passou Maio, Junho e Julho. dizer pra vocês que até hoje faço zero ideia de qual foi a corda que usei para dar conta do recado - eu tive que segurar muito firme. chegou Agosto e o Sebas, depois de um excelente tratamento urinário e dieta controlada, ficou melhor. também em Agosto, Andy já conseguia dirigir sem sentir tanta dor e podia me levar para o trabalho (quem estava fazendo o serviço sujo até então era a minha sogra). mesmo assim, achei que seria melhor perder o medo do volante e tirar logo a minha carteira de motorista. e foi o que eu fiz.

foi em Setembro, quando eu já estava dirigindo e TODA empolgada para comprar meu primeiro carro, que aconteceu: a caminho do trabalho (era a primeira vez que eu dirigia uma distância tão longa), sofremos um acidente com perda total do veículo. de alguma forma, eu consegui subir na guia e acertar um poste. galera, só deu tempo de sair do carro para ele começar a pegar fogo até explodir.

como é que alguém explode um carro? pelo visto, tudo o que você precisa fazer é acelerar, quando quem está no banco do passageiro está berrando: STOP! STOP! STOP!. aparentemente, o meu cérebro entendeu: RÁPIDO! RÁPIDO! RÁPIDO!. péssimas traduções do Google Tradutor. quem nunca?

Ô BERENICE.
o carro virou um monte de ferro retorcido
conosco, graças a Deus, o gozador que adora brincadeira, nada aconteceu.
valeu, Mestre.

sinceramente:
tinha condições de fazer qualquer coisa durante a trilogia 2016-2017-2018?
não tinha condições.



mas deu, né?

já estou 100% adaptada a todos os dramas de escritório, Sebastião está excelente e o último acidente que o Andy sofreu foi ontem, quando bateu o mindinho na mesa de centro da sala. meu inglês está melhor, mas ainda cometo umas gafes chocríveis. ou seja.

e digo mais: acabei de receber autorização (green card) para ficar mais 10 anos por essas bandas, então pode marcar esse SITE como favorito porque a vida aqui segue no ritmo 'todo dia um sete a um'. e pode MANDAR a galera a voltar a ler blog, sim. o BR só tá do jeito que tá porque todo mundo trocou BLOG por VLOG. ou vocês acham que eu não estou vendo GERAL seguindo o Felipe Netto? traíras da pátria (eu, inclusive. sigo a simpatia no Twitter).

é isso.
até Sábado que vem, combinado?
combinado.

(post dedicado a Tati Leite e a todos os meus amigos que estão sempre pedindo pela volta do blog. amo vocês).

[Glória]

ô, vem cá.

essa minha cara marrom causa muita estranheza e confusão por essas bandas. are u Mexican? Puerto Rican? Shakira Shakira?

quase todo mundo acha que a América Latina é só o México/Porto Rico e vice-versa. então, se você entra num mercado Mexicano ou em qualquer outro estabelecimento Latino/Hispano e não fala Espanhol, as pessoas podem achar que você é metida a besta por se comunicar em Inglês. não passa pela cabeça da galera que você pode ser Latina e falar Português. na verdade, a maioria das pessoas nem sabe que o Português existe.

pois bem.
dito isso, deixa eu contar pra vocês uma coisa que aconteceu:

a Eliana é uma moça que começou a trabalhar com a gente lá no escritório não tem nem um mês. dia desses, ela levou pro pessoal um doce (MADE IN MEXICO) chamado GLÓRIA (esse nome, eu sei). GLÓRIA é basicamente doce de leite de cabra com nozes e talvez seja a coisa mais próxima do Paraíso que existe na face da Terra. sem brincadeira, rolei na areia e fiquei louca, muito louca com o tal do doce.

daí, lógico, achei que seria SENSATO criar o meu próprio estoque de GLORIAS. lembrei, então, de um mercadinho Mexicano que eu sempre vou quando quero comprar produtos parecidos com os do Brasil e tenho dificuldade para encontrar, tipo suco de maracujá, massa de pastel, mandioca, etc. só que nesse mercadinho sempre rola climão quando eu peço alguma ajuda, afinal, não falo Espanhol e eles juram que o idioma do Almodóvar seja a minha língua materna e INSISTEM. como eu não estava num dos meus melhores dias, decidi evitar o conflito pessoalmente e liguei para o lugar.



mercadinho: HOLA
eu: hello, I'm looking for...

(a atendente do mercado desliga o telefone)

pensei: tá certo, a garota não deve falar Inglês e talvez esse seja um ótimo momento para eu tentar começar a falar em Espanhol? tirei o celular da bolsa e joguei lá no Google Tradutor "DESCULPA O MEU ESPANHOL, MAS VOCÊ TEM UM DOCE CHAMADO GLÓRIA?".

pedi pro Andy parar o carro para eu TREINAR a frase antes de ligar:

Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?
Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?
Disculpa mi español. ¿Tienes un dulce llamado Gloria?

o Andy não sabia onde enfiar a cara, tamanho o ridículo da cena. mas, enfim, eu precisava do doce. quando achei que já estava a Anitta do rolê, liguei novamente: 

mercadinho: hola!
eu: hola, desculpe mi español. usted tiene un dulce llamado GLORIA?
mercadinho: QUE?
eu: sorry, can I just speak in english?
mercadinho: si, si, un poquito.
eu: ok. i'm looking for this candly called GLORIA.
mercadinho: COMO?
eu:  a candy... gloria...
mercadinho: A CANDY? ES UN BOMBÓN?
eu: KIND OF. GOAT MILK AND NUTS.
mercadinho: UN MOMENTO.
eu: OBRIGADA!
mercadinho: OBRIGADA!

7x1: você voltou pra dizer se tinha o doce? a moça do mercadinho também não. nunca mais.

[Craigslist]

se tem coisa melhor do que Deep Dish Pizza no país Estados Unidos da América, essa coisa se chama Craigslist. e eu não estou sendo irônica. eu sei que quem já conhece o site, deve estar revirando os olhos e lembrando dos causos assustadores que já rolaram por lá. porém, desde que eu me mudei para cá, praticamente virei a rainha dos "deals". um exemplo foi quando a gente estava fazendo orçamento para comprar um fogão novo (o nosso tinha mais de 15 anos). enquanto nas lojas a gente não encontrava por menos de $400, acabamos encontrando um 0km por $180 lá mesmo, no site do Craig.




a Craigslist funciona mais ou menos como a OXL no Brasil, só que com pessoas mais bizarras. quer dizer. a maioria das nossas negociações aqui foram tranquilas, com pessoas aparentemente normais. tudo bem que sempre rola aquela sensação de que vamos ser sequestrados durante o pagamento, mas tentamos ser cuidadosos ao extremo: marcamos com anunciantes/compradores em locais movimentados e a luz do dia. e só vamos até a casa da pessoa em último caso, como da vez q tivemos a excelente ideia de aceitar o piano de alguém que estava doando. visualizem a cena: tivemos que enfiar um piano no bagageiro do carro. vocês já pegaram um piano? aquilo não é gaita.

então. tudo tranquilo e favorável até o dia que encontramos um sujeito vendendo 50 cases de CD por $10 - a gente tava numa vibe de organizar a nossa coleção de CDs, etc. achei o preço mais do que justo e escrevi pro cara, que respondeu no mesmo minuto. era domingo, estávamos sem nada pra fazer, então ficamos de encontrar o vendedor mais tarde.

era o meu primeiro ano aqui e eu estava pedalando com o inglês. daí para fazer as negociações, eu entrava em contato com a pessoa por e-mail e o Andy ligava para fechar o negócio. foi aí que a coisa começou a ficar estranha. pra começar, o sujeito queria nos encontrar em um estacionamento por volta das oito horas da noite. estacionamento? sei lá, a gente esperava um lugar com luzes, gente bonita e clima de paquera, mas:



topamos, afinal, CASES DE CD É QUESTÃO DE VIDA OU MORTE. quando chegamos no local combinado, o estacionamento estava praticamente vazio. só havia um carro estacionado que, LÓGICO, concluímos ser o do vendedor. ligamos para confirmar e, para a nossa surpresa (ou alegria), o cara disse ainda estar a caminho.

não demorou nem dois minutos para um SEGUNDO carro se aproximar. AGORA VAI? claro que não, e o cenário agora era o seguinte: dois carros, todas as luzes apagadas, ninguém entra, ninguém sai e eu já pensando na minha mãe recebendo a notícia do meu sequestro. antes que eu entrasse completamente em PÂNICO, finalmente o tal sujeito me aparece em uma van.

PRONTO.

a única coisa que eu consigo pensar quando vejo uma van nesse país é: sequestro e 85 anos de cativeiro em um basement sujo. pedi pro Andy desencanar daquilo e, evidente, ele não desencanou. fiquei no carro acompanhando toda a cena: o vendedor abriu a porta da van, tirou a caixa, entregou para o Andy, recebeu os dez dólares e se despediu. foi o Andy virar as costas para os dois homens, QUE JÁ ESTAVAM LÁ, SAIREM DOS SEUS RESPECTIVOS CARROS E ENTRAREM NA VAN. ou seja? ELES SE CONHECIAM. sim, eles largaram os carros lá, entraram na van e foram para SÓ DEUS SABE.


não teve sequestro, mas eu SURTEI. jurei que estávamos sendo alvo de um ataque terrorista. comecei a IMPLORAR para o Andy enconstar o carro e verificar o pacote. perdi as estribeira completamente. ANDY, PELO AMOR DE DEUS PARA ESSE CARRO ISSO É BOMBA. A GENTE ESTÁ CARREGANDO UMA BOMBA. PARA ESSE CARRO. NÃO FAZ SENTIDO TRÊS CARROS COM AQUELE TANTO DE HOMEM SÓ PARA ENTREGAR UMA CAIXINHA COM CASES DE CD. EM QUE PLANETA VOCÊ VIVE? NÓS VAMOS MORRER. PARA ESSE CARRO AGORA. ISSO É UM ATAQUE TERRORISTA. PELO AMOR DE DEUS.

cara.
a minha cabeça.

7x1: Andy parou, sim, o carro para examinar caixa e encontrou, isso mesmo, 50 cases de CDs. 

[Caturday]



e o Obama esteve em Columbus uma semana antes das eleições presidenciais. "e eu com isso?" você deve estar se perguntando. você com isso nada, mas eu curto o cara e, só para vê-lo, acabei parando em uma vizinhança onde o único lugar para comer era um Starbucks (eu não sou lá fã de Starbucks. meu negócio mesmo é o Tim Hortons). 

chegamos na região da Universidade bem cedo, pois nossa experiência no rally com o Bernie Sanders não foi muito bacana - ficamos quatro horas na fila e vimos o Bernie por 10 minutos. então, aproveitamos o tempo extra que tínhamos e demos um pulo na tal cafeteria. eu precisava de um expresso e de um copão de água. o Andy precisava comer alguma coisa e pediu um trem com bacon que o fez ir ao banheiro pelo menos uma cinco vezes naquele dia. cara, eu nunca vou entender o hype do Starbucks. quem explica?

pois bem, tomei o meu café, Andy comeu o lanche dele e saímos em direção ao lugar onde seria o rally. havia alguns manifestantes na área, por conta da construção de um oleoduto em uma região índigena em North Dakota (a construção foi cancelada na semana passada), mas mesmo assim, o clima era total de "Yes, We Can". a gente estava quase chegando, quando um vendedor ambulante pulou (literalmente) na minha frente. 

vendedor: I'LL GIVE TWO BUTTONS FOR FREE IF YOU GIVE ME THIS GLASS OF WATER.

(eu ainda tinha meu copão de água comigo)

eu: não, tudo bem. você pode ficar com água, não precisa me dar nada.

vendedor: não, eu faço questão. pode escolher dois buttons.

(acabei escolhendo o do Black Lives Matter e o Andy pegou um da campanha da Hillary)

vendedor: DO YOU HAVE KIDS?

(imaginei que, pelo fato de sermos casados, ele quisesse dar alguns buttons para os nossos filhos. eu sou mesmo muito tonta.)


vendedor: pardon me? 


Andy: no, we don't have tickets. 

7x1: "Do you have tickets?" foi a pergunta. Ele queria saber se tínhamos ingressos para o rally, sendo que para ver o Robama sequer era necessário ingressos. de qualquer forma, o Andy comprou dois, só para garantir. somos mesmo muito tontos.

[Whole Foods]


o Whole Foods é o meu lugar favorito quando quero comer "comida de verdade" e tô sem pique pra cozinhar. vocês já devem ter ouvido falar dele, porque é um supermercado hipster, que vende comida natureba e que os famosos adoram ir pra causar (tem esse causo da Katie Holmes que é muito bom). eu só fiquei sabendo disso depois. o Andy ia lá pra comprar tapioca flour, mas a gente descobriu um polvilho da Tailândia no mercado internacional daqui, que é tipo três dólares mais barato, e agora só vamos no W.F pra comer mesmo.

daí que certo Sábado, tô eu lá na fila pra pagar minha comida, quando uma senhora resolve me abordar. aqui eles gostam muito da tal "small talk", que é basicamente puxar assunto com qualquer pessoa, sobre qualquer coisa. eu sou de lua. tem dias que, beleza, vamos conversar e tem dias que eu tô "me deixa em paz, pelo amor de deus". pois bem, eu tava num desses dias de "sai daqui".

senhora: hi, have you lived in the Bronx?

(cara, a pessoa nunca me viu na vida e quer saber se eu já morei no Bronx? é a minha cara de Latina, só pode. ela certamente deve achar que eu sou parente de algum "drug dealer". mano, eu tô com fome. sério, me deixa.)

eu: nope, I never lived in the Bronx (but I know someone from there).

(a gente sabe que falou bobagem, quando a reação do receptor da mensagem é parecida com isso aqui)

eu: I'm sorry, what did you ask me?

7x1: a senhorinha estava segurando uma embalagem de comida parecida com a minha e queria saber se a tampa servia na caixa, porque a dela estava caindo. "does your lid fit on your box?". nada a ver com Bronx, nada a ver. golaço do camisa número 4 da seleção Alemã. 

[Sam]

chefe: que horas voce pode estar aqui amanhã?

eu: o mais cedo possível.

chefe: que horas?

eu: não sei, depende do horário do ônibus. eu posso pegar o primeiro ônibus, mas preciso checar qual é o horário dele.

(eu ainda não tenho carteira de motorista. o Andy até tentou me ensinar a dirigir, mas não rola. eu precisaria de mais umas dez outras mãos para dar conta de sair por aí com um carro. então, sempre que o Andy não pode me deixar no trabalho ou em qualquer outro lugar, eu pego o ônibus. o sistema de transporte daqui é bem ruim, mas isso é conversa pra depois)

sam, colega de trabalho que estava ouvindo a conversa, resolve entar ajudar: olha, eu vou estar aqui às cinco da manhã. posso passar na sua casa às quatro e meia e te dar uma carona.

(uma coisa que ninguém comenta, quando fala do povo daqui: eles são muito gentis. e aqui uma pessoa ser gentil com você não a transforma, imediatamente, em sua amiga. mas uma coisa é certa: eles não te deixam na mão. da outra vez, pedi para um dos meus chefes me ajudar a pedir um táxi e ele pediu para uma colega me trazer em casa)

eu: maravilha, combinado. this is gonna be a big help, thank you!

sam: not a problem, at all. see you in a couple hours.

eu: see you.

saí do trabalho às onze da noite, peguei o ônibus pra voltar pra casa (congelei por uns 20 minutos no ponto, com uma outra guria) e não dormi, com medo de perder a hora e fazer o menino esperar.

7x1: o Sam apareceu na loja às duas da tarde, porque colocou o celular para despertar às 3PM, não 3AM. tive que pegar o ônibus, que demorou pra sempre e eu, claro, cheguei atrasada. gol da Alemanha. ô Sam!

[hardlines]


freguesa: você consegue ler o que tá escrito aqui (freguesa me mostrando uma embalagem de batom)? 

eu: mais ou menos, o que a senhora precisa saber exatamente? 

freguesa: eu quero saber de onde é esse batom. 

(estudo o produto e concluo, com rapidez) 

eu: da China (did you mean "Tchina"?)?

freguesa: não, honey (ahaha, honey). eu sei que tudo é fabricado na China. eu quero é saber o nome da empresa que fabrica. 

7x1: a batom era da freguesa e ela queria saber a marca para tentar encontrar um parecido na loja. pergunta agora se a gente conseguiu descobrir.

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